Lendas e Tradições

Roubar Carroças

Em tempos idos os jovens rapazes de Queixoperra juntavam-se na madrugada do Dia de Carnaval para apoquentarem os mais velhos com várias tiranias e sacanices onde se incluía a troca de animais domésticos e o “roubo” de carroças. Pela noite dentro, os grupos dividiam-se pelo Parreiral, Pito d’ Horta e Casal, pelas Barreirinhas, Bica e Cimo da Bica para darem início às típicas malandrices.

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Cantar as Florinhas

Em Queixoperra, no mês de Maio, mês dedicado a Nossa Senhora, as meninas até aos 10 anos “aceitam as Florinhas”. A par com a tradição de Pedir os Bolinhos, esta é uma das mais antigas tradições da aldeia. Durante a realização do Terço, em momento oportuno, três ou quatro meninas, sempre vestidas de branco, recordando a pureza e inocência da Mãe de Jesus, recolhem as flores que os habitantes levam consigo para a igreja e dão início ao louvor à Virgem Santa Maria. Cada louvor,  e existem 5 diferentes, é composto por 3 quadras distintas.

Lenda da Buraca da Moura

 

Reza a lenda que vivia no Vedigal (local que dista de Queixoperra aproximadamente 1 km) um generoso casal de mouros. Uma certa noite, vem o mouro a Queixoperra em busca de auxílio pois era chegada a hora da moura dar à luz. Da Queixoperra partiu então uma parteira que ajudou a moura no trabalho de parto e tudo correu bem.

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Encomendar as Almas

“Encomendar as Almas” é uma das tradições que tende a cair em desuso em Queixoperra. Ainda assim, anos após ano, durante a Quaresma, várias mulheres juntam-se nas escadas da igreja, depois da reza do terço, para “encomendar as almas”. Aí entoam, em coro, com tom dolente, aflito e cheio de angústia, cânticos em memória das benditas almas do Purgatório. Durante o cântico dos vários versos, as mulheres fazem várias pausas para se rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Cantar as Janeiras

Acordai se Estais Dormindo, Nesse Sono tão Profundo, À porta vos Estão Pedindo, P’las Almas do Outro Mundo”. Começa assim a ladainha das Janeiras que o povo de Queixoperra perpetuou no tempo. Não há samarra que não ajude a suportar o frio ou maleita que impeça homens, mulheres e crianças de cantar as Janeiras. Durante o primeiro mês do ano, ao serão, dois grandes grupos de cantadores percorrem as ruas de Queixoperra e das aldeias vizinhas pedindo donativos pelas almas dos fiéis defuntos. Para aquecerem as vozes e os espíritos, atestando a hospitalidade das gentes da Beira, as famílias recebem os cantadores com filhós e abafado caseiro, motivando-os a darem continuidade a esta bonita tradição cujo principal objectivo é recolher dinheiro para a realização de eucaristias por intenção de conterrâneos falecidos, tal como refere a última quadra: A Esmola que Vós Dais, Não julgueis que a Comemos, Elas são Ditas em Missa, P’las Almas que lá Temos.

 

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